quarta-feira, 8 de julho de 2009

A Escalada - Uma Fase - Uma Conquista

FOLDER EQUINOX
MATÉRIA SITE

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Desde que encontrei a escalada passei por grandes transformações em minha vida. Numa época em que me sentia muito patricinha e materialista decidi que era hora de me lançar numa aventura. Voltando de uma viagem li uma matéria sobre o novo bar temático da época que oferecia uma mega parede de escalada, saudoso Escalada Café. Eu tinha recém feito a caminhada da Pedra da Gávea pela segunda vez e decidi que esse seria o próximo destino de uma mulher de fases. Só não imaginava que seria uma longa parada.

Foi então que comecei a frequentar o local e lá comecei a namorar um dos melhores e mais completos escaladores da América Latina, meu ex marido. Uma honra e uma mega roubada, afinal a minha grande rival nada mais é do que a rocha. Resolvi me aliar à concorrente por um longo tempo e descobri um mundo que eu jamais imaginei encontrar, um novo estilo de vida e lugares encantadores reservados para poucos.
A escalada acabou estando sempre presente na minha vida e claro que trabalhando com a ByPita eu respirava escalada!! Não posso negar que tive grandes conquistas com o esporte, mas a minha maior conquista sem dúvida foi o corcovado. Tive o prazer de participar com uma amiga da primeira cordada feminida da via dos Austríacos, no Corcovado, a Cris foi guerreira e guiou toda a via e eu fui participando. O mais maneiro é que ao lado, numa outra via chamada via 8º passageiros subiam o Pita, Nando e Mônica, três feras da escalada!

Nos dividimos nesses dois grupos e subimos simultâneamente, acabamos a escalada do primeiro dia em torno das 19h e dormimos no mini platô. No dia seguinte a escalada parecia uma festa, dois escaladores rapelaram no platô onde estavam os meninos e um amigão nosso e fotógrafo passou de helicóptero para dar um alô, tá imaginando o evento né? A subida no segundo dia foi penosa, o tempo fechou, havia muita neblina, os equipamentos ficaram húmidos. A comunicação estava quase impossível, toda hora passava um helicóptero por conta do feriado de setembro e claro que não levamos rádio, afinal o que seria da adrenalina se não fosse o perrengue rsrsrs e põe perrengue nisso...

Estava tudo ótimo, até que de repente quando eu estava subindo o mosquetão do meu estribo prendeu no anel menor do baudrier, não entendeu né? Vou explicar, deu M....! Por um momento achei que só conseguiria sair dali resgatada, estava presa e não conseguia entender o que estava acontecendo. Achei até que se mexesse errado no equipamento poderia morrer, mas sabia que estava cheia de back up e isso provavelmente não aconteceria.

Foi um momento de muita reflexão, gritei para Cris que tinha babado e ela tentava falar alguma coisa que eu não conseguia entender. Pedi socorro e ninguém ouvia por causa dos helicópteros, sem dizer que no outro platô ainda rolava uma festa, fiquei em pânico por alguns segundos. Até que de repente, eu não ouvi mais nada durante alguns minuto, nem a Cris, nem as risadas do platô ao lado muito menos os helicópteros. Me bateu uma calma, uma concentração e uma segurança absoluta. Rapidamente entendi o que havia acontecido, consegui me soltar depois de algumas tentativas e segui em frente como se nada tivesse acontecendo gritando para a Cris que estava tudo tranquilo. Ufa.... Acho que foi a partir desse momento que comecei a prestar atenção na minha capacidade como ser humano.

Essa escalada me rendeu muita auto confiança, uma matéria na revista Terra que infelizmente não tenho mais, uma matéria num site voltado para a escalada e a capa do folder de uma loja especializada em materiais de montanhismo e alpinismo, Equinox. Foi sem dúvida a minha maior conquista na escalada!

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